Descoberta da renovação carismática com o padre Tardif

Padre Émilien Tardif

Revista Stella Maris, setembro de 2018

Um padre testemunha suas peregrinações a San Damiano (2)

Em 1980, tive a ocasião de participar de um retiro sacerdotal organizado pela Renovação carismática no grande seminário Saint-Irénée de Lyon. Inscrevi-me por curiosidade, mas não poderei me arrepender… Não conhecia a Renovação e não me atraíam as demonstrações que se diziam um pouco «excêntricas». Éramos talvez 150 padres vindos de todos os países, divididos em equipes de sete ou oito para reuniões diárias.

O responsável era o padre de Lyon, fundador da Rádio cristã, que começava a suscitar imitadores em toda a França. Como animadores, o padre Tardif e Daniel Ange, de quem ainda não tinha ouvido falar. Pude assim descobrir o carisma surpreendente do padre Emiliano Tardif, carisma de «conhecimento de curação», assim como seu dom de conferencista simples e caloroso, mas também a sua própria história marcada por uma curação milagrosa devida à oração de carismáticos.

Durante o retiro foram anunciadas numerosas curações, que de fato aconteceram diante de nossos olhos. Em minha equipe havia um padre que tinha lecionado na Argélia. Muito culto, falava correntemente o árabe e o árabe literário. Confessara-nos, no primeiro dia, que não era muito atraído pela Renovação e que não acreditava na autenticidade do que se chama «falar em línguas». Aquelas palavras incompreensíveis, ora proclamadas, ora cantadas, davam a impressão de que a pessoa falava uma língua estrangeira que não conhecia. Mas teriam elas realmente um significado?

Ora, no 3.º ou 4.º dia, esse padre confiou-nos o que lhe acontecera e o deixara abalado. No decorrer de uma missa, depois da consagração, um canto em línguas brotara da assembleia (como todos os dias, aliás). E ele ouvira cantar o louvor divino em árabe (árabe literário, pouco conhecido) à grandeza e ao poder de Deus. Acreditou que houvesse, entre os presentes, um padre que conhecia essa língua e que cantara um pouco mais distintamente que os outros. Fez uma investigação junto aos responsáveis, informou-se nos grupos. Ninguém conhecia o árabe. Compreendeu que o Espírito Santo lhe dera assim a resposta às suas dúvidas, um sinal indiscutível da autenticidade do «falar em línguas». (O padre Tardif fará alusão a essa anedota em um de seus livros.)

Curação do padre Émilien Tardif

Na quinta-feira à noite, por volta das 21 horas, começou a grande celebração eucarística, que durará quase três horas e se prolongará pela adoração noturna até de manhã. Daniel Ange a presidiu e a animou com sua fé ardente e contagiante, sua veemência e sua paixão pelo Cristo.

Passei a noite em adoração até cerca das 6 horas; depois fui descansar um pouco e me preparar para o último dia, no qual seria dado o sacramento da Unção dos enfermos àqueles que o pedissem. Pessoalmente, tinha problemas de intestino há muito tempo e deles sofrera especialmente durante aquele retiro. Decidi, pois, pedir o Sacramento dos enfermos, ainda que com um pouco de hesitação, pois, evidentemente, não tinha uma doença que pudesse levar à morte, felizmente! Orações pelos doentes do padre Émilien Tardif

Muitos padres fizeram como eu e se adiantaram para acolher as orações do padre Émilien Tardif. Uma cerimônia comovente, orante e, ao mesmo tempo, simples e recolhida. A Ação de graças, em profundo silêncio, foi seguida, como em todas as celebrações do retiro, pela intervenção do padre Tardif, que anunciou um certo número de curações. Aqueles que delas se beneficiavam e que tinham a prova imediata de sua curação deviam manifestar-se. Por outro lado, para as curações não constatáveis imediatamente, pedia-se aos beneficiários que depois testemunhassem, quando a prova fosse feita, junto ao padre Tardif ou a um responsável.

Lembro-me de que o padre anunciou em dado momento que um de nós, que sofria de um punho, estava curado. E de fato um padre levantou-se, contando que tivera um tumor no punho que lhe tirara toda a força da mão. Sentira um calor e percebera que estava curado. Para dar prova disso, bateu palmas com todas as suas forças, desencadeando os aplausos da assistência.

O padre anunciou, entre outras coisas, que um de nós, que sofria há muito tempo do intestino e que dele sofrera ainda mais durante o retiro, estava curado. Pessoalmente, não pensei de modo algum em mim, sabendo que vários padres sofriam mais do que eu (a partir de nossas conversas em equipe) e, além disso, eu nada tinha sentido.

Surpreendentemente, no decorrer da reunião da noite, que costumava ser uma pequena prova para mim, não senti os sintomas habituais. Depois, a partir da celebração, não senti mais nada. Meu intestino não me deu mais preocupações durante muito tempo. Certamente eu me beneficiara da curação anunciada pelo padre Tardif. E, no dia seguinte, antes de partir, deixei-lhe entender que eu era provavelmente o beneficiário de sua intervenção.