O mistério pascal na vida do padre Émilien

«Bem cedo no domingo de manhã, as mulheres foram ao túmulo, levando os óleos perfumados que haviam preparado. Encontraram a pedra removida da entrada do túmulo; entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. Não sabiam o que pensar, quando dois homens de vestes resplandecentes lhes apareceram. Como estivessem tomadas de temor e mantivessem o rosto voltado para a terra, esses homens lhes disseram: “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui; voltou à vida.”»

Lc 24,1-6

Igreja atual de St-Zacharie.

Igreja antiga onde o padre Émilien Tardif foi batizado.

O padre Émilien nasceu em St-Zacharie de Beauce, em 6 de junho de 1928. No início da guerra de 39-45, a família, como várias famílias da paróquia, sai da paróquia para sobreviver. A família Tardif muda-se logo em 1939 para Rapide-Danseur, no Abitibi, atualmente uma aldeia de 265 habitantes. Em 1941, por intermédio do irmão Armand Tardif, seu irmão mais velho, o padre Émilien entra na escola apostólica de Beauport, uma escola dos missionários do Sagrado Coração. Faz a sua profissão em 1949 e é ordenado sacerdote em Rapide-Danseur, em 1955. Parte para a República Dominicana em 16 de setembro de 1956 e lá permanece 17 anos, durante 5 dos quais é superior de sua comunidade. Trabalha muito e abusa da sua saúde.

Assim, em 14 de junho de 1973, adoece de tuberculose pulmonar. Dizia: «Naquela noite, tive a impressão de experimentar a morte, e não gostei nada disso.» Depois de ser hospitalizado na República Dominicana, foi levado ao Canadá, ao Hôpital Laval de Québec, um hospital especializado em tuberculose. Lá viveu uma experiência de morte e de ressurreição. Passa por vários exames e começam os tratamentos. Falando das pessoas que o visitavam, dizia: «Lá recebi a visita de pessoas que me traziam chocolate ou cigarros.»

Mas apresentaram-se cinco carismáticos: Rémi Paquet e sua esposa Rose Tardif, sua irmã mais velha, Rose Catudal, seu marido e seu filho». Ele conta: «Fiquei todo espantado ao ver o seu convite, quando me disseram: “Acreditais que o Senhor pode vos curar?” Eles tinham confiança e disseram: “Vamos repetir o convite que o Senhor nos faz no Evangelho, quando diz: ‘Imporão as mãos sobre os doentes e estes serão curados’.” O Senhor me curou totalmente e, ao fim de 3 a 4 dias, não tinha mais nenhum problema com a minha respiração, a minha tuberculose».

Ele estava doente e voltou à vida.

O padre Émilien Tardif impõe as mãos

O padre Émilien volta à República Dominicana em 8 de julho de 1974, com a sua saúde física e espiritual renovada. Tal como os membros de sua família, teve de viver vários lutos: a partida de St-Zacharie, a perda da irmã Amélie, que se afogou, a partida para os estudos, a missão e outras coisas. O mistério pascal está presente na sua vida. O seu primeiro livro, que tem por título «Jesús está vivo» (Jesus está Vivo), em espanhol, é repleto de testemunhos de pessoas que encontraram mais vida pela ação do Senhor.

E, em novembro de 1987, funda com leigos a comunidade dos Servos do Cristo Vivo, um exemplo do prolongamento do ensinamento do mistério pascal «Jesus está Vivo». Em 8 de junho de 1999, morre em Córdoba, na Argentina. É repatriado para a República Dominicana, seu país de adoção, e o seu corpo é colocado em uma cripta pertencente aos missionários do Sagrado Coração, em Santiago, no cemitério municipal. E, ao lado do nome desse cemitério, será acrescentado o de «Jesús está vivo», em espanhol.

Em 2007, seus restos mortais serão transferidos para uma cripta em Santo Domingo, numa igreja dedicada ao «Cristo Ressuscitado», pertencente à comunidade dos Servos do Cristo Vivo. O mistério pascal não cessa de acompanhá-lo na sua vida, e isso continua. Ele nasceu na terra, em St-Zacharie, em 6 de junho de 1928, mas agora podemos dizer com ele que nasceu para o céu em 8 de junho de 1999.

Jesus está Vivo

Yves Rancourt, padre.

21 de janeiro de 2008

Festa de Nossa Senhora da Altagracia