A importância do testemunho

Meus caros amigos, o tema da reflexão desta tarde é a importância do testemunho e creio que, quanto mais avançamos neste renovamento espiritual no Espírito Santo, que vivemos em toda a Igreja, mais vemos a importância do testemunho para edificar a fé, para construir a comunidade cristã.

E quando vamos ao Evangelho procurar o que Jesus dizia desde o início de sua evangelização, vemos que desde o início Jesus começou a pedir que testemunhassem. Quando os discípulos de João Batista foram encontrar Jesus, como lemos no Evangelho segundo São Lucas, capítulo 7, versículo 18, está escrito: «Os discípulos de João o informaram de tudo isso; chamando a si dois de seus discípulos, João os enviou para dizer ao Senhor: «És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?».

Chegados junto dele, seus homens disseram: «João Batista nos envia para te dizer: és tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?». Naquela hora, Jesus curou muitas pessoas afligidas por doenças, enfermidades, espíritos maus e devolveu a vista a muitos cegos. Depois ele respondeu aos enviados: «Ide e dizei a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, a Boa-Nova é anunciada aos pobres e bem-aventurados aqueles que, depois de me terem encontrado, não voltam desconcertados.».

Desde o início de sua vida pública Jesus pedia: «Ide e dizei, contai o que vistes e ouvistes», porque o testemunho tem uma força extraordinária para dar a conhecer aos nossos irmãos o amor de Deus. Quando alguém é testemunha, tem uma força de convicção que não se pode ter apenas na argumentação comum.

Quando você vê um acidente de automóvel, por exemplo, se há um acidente de automóvel e você está presente, e os policiais chegam e procuram quem é o responsável pelo acidente, se você estava presente, pode dizer: «Eu sou testemunha porque vi e sei que a responsabilidade é de fulano ou de fulano». A testemunha vem para pôr luz nas trevas. Quando não se sabe muito bem de onde vem a responsabilidade desse acidente, é a testemunha que vem pôr luz.

E quando o Senhor nos disse: «Vós sois a luz do mundo, o sal da terra», ele nos dizia simplesmente que seríamos suas testemunhas, testemunhas que põem luz nas trevas, testemunhas que podem dizer: «eu o vi e é verdade!».

E Jesus, quando quis se identificar como Messias Salvador, não começou a argumentar com argumentos de alta teologia, não começou a discutir, mas sim a dar sinais para que esses sinais fossem o que vem provar que ele é verdadeiramente o Messias Salvador. Os apóstolos também iam e contavam o que Jesus havia feito. Eles eram as testemunhas, e Jesus nos pediu para sermos suas testemunhas em toda parte.

Mas, para sermos testemunhas autênticas, testemunhas audaciosas, Jesus nos deu uma força extraordinária quando disse aos seus discípulos, antes de subir ao céu: «Não vos afasteis de Jerusalém, esperai; dentro de poucos dias sereis batizados no Espírito Santo». Como lemos nos Atos dos Apóstolos, capítulo 1: «É no Espírito Santo que sereis batizados dentro de poucos dias». Então os apóstolos, que não compreendiam muito bem o que o Senhor queria dizer, com sua mentalidade de política, começaram a crer que Jesus falava do estabelecimento do Reino de Israel.

E Jesus lhes disse: «Não, não se trata disso, mas vós recebereis uma força: a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e então sereis minhas testemunhas». O Batismo no Espírito Santo, essa efusão do Espírito de que desfrutamos em nossas vidas, de que desfrutamos hoje de uma maneira toda privilegiada na Igreja universal, é a força do alto que nos é dada para sermos testemunhas, para testemunhar. O Senhor quer testemunhas em toda parte e quer nos dar a força de sermos testemunhas audaciosas, e então ele nos dá seu Espírito Santo.

Seu Espírito Santo, que transformou os apóstolos no dia de Pentecostes.

Lembremo-nos de como São Pedro era tão medroso que, no momento em que Jesus foi condenado à morte, quando Jesus subia ao Calvário com sua cruz, uma humilde servente acreditou reconhecer Pedro como um dos companheiros de Jesus e disse: «Tu também és um deles, um dos discípulos, um dos amigos de Jesus», e Pedro se defendeu dizendo: «Não conheço esse homem». E ao afirmar que não o conhecia, ele tinha medo, tinha receio. E três vezes negou Jesus, e o galo cantou. E Pedro reconheceu que havia negado seu mestre.

Mas ele não tivera a força de se declarar discípulo de Jesus porque ainda não havia recebido essa força do alto. Mas no dia de Pentecostes, quando os discípulos estavam reunidos no Cenáculo em oração com Maria, a mãe de Jesus, esperavam aquela promessa do Pai que Jesus lhes havia prometido, dizendo: «Não vos afasteis de Jerusalém, esperai, recebereis a força do alto, recebereis o Espírito Santo»; e então, no Cenáculo, quando o Espírito Santo desceu sobre a Igreja primitiva, por ocasião desse Batismo no Espírito Santo de toda a Igreja primitiva, dos apóstolos e dos primeiros discípulos que ali estavam reunidos, eles receberam essa força do alto e saíram do Cenáculo e foram à praça pública proclamar Jesus Salvador, Jesus Ressuscitado, Vivo e Verdadeiro!

Com audácia, proclamar que Jesus é o Salvador; essa força da testemunha, a força que os levaria a testemunhar até os confins da terra. E vemos hoje, meus caros irmãos, como o Espírito Santo renova em toda a Igreja essa força do testemunho. Porque o testemunho tem uma força extraordinária de edificação no Reino. Eu poderia lhes dizer que, quando se testemunha, os corações se abrem e nossos amigos começam a descobrir o Amor de Deus, a força de Jesus Cristo.

Quantas vezes vi, nas pregações, quando eu contava como o Senhor me curara um dia, no mês de julho de 1973, daquela tuberculose pulmonar de que sofria no hospital de Quebec, no Canadá, como o Senhor me curara totalmente por ocasião da oração de 5 leigos que foram me visitar, impuseram-me as mãos e oraram por mim. E Jesus me curou totalmente no espaço de 2 ou 3 dias. E ao contar em detalhes esse testemunho, que já contei aqui no ano passado, vi em vários países que, durante o testemunho, há pessoas que receberam uma cura.

O coração se abre durante o testemunho e somos capazes de acolher as bênçãos de Deus, as graças de Deus.

Lembro-me, entre outras coisas, de que dava um retiro carismático no México e, num sábado de manhã, enquanto eu contava a importância do testemunho e contava minha própria cura, um homem que estava presente na assembleia, onde havia mais de 2 000 pessoas, um homem que sofria muito da coluna vertebral havia anos e que não conseguia se curar, estava lá e disse em seu testemunho, no dia seguinte, no domingo, que no momento em que eu contava minha cura, ele disse em seu coração: «Mas, se o Senhor curou meu irmão, também pode me curar a mim».

E então, em seu coração, nasceu um imenso desejo de receber também ele a saúde. E ele começou a tremer; estava ali na multidão, começou a tremer sem que sequer fizéssemos uma oração pelos doentes. Começou a tremer em seu corpo, sentiu uma presença toda especial do Senhor e, num calor muito grande, percebeu que algo estava acontecendo. E no dia seguinte, na hora dos testemunhos, veio testemunhar que estava perfeitamente curado. E aquela dor da coluna vertebral fora curada pela força do Amor de Jesus na hora do testemunho.

Quando Jesus soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele fazia mais discípulos e batizava mais do que João, muito embora, na verdade, Jesus mesmo não batizasse, mas sim seus discípulos, ele deixou a Judeia e voltou para a Galileia. Ora, era-lhe necessário atravessar a Samaria. Chega então a uma cidade da Samaria chamada Sicar, perto da terra que Jacó tinha dado a seu filho José — há 2 semanas eu estava em Israel e estive lá no poço de Jacó; visitei aquele lugar no poço de Jacó, que é conservado e que os peregrinos vão visitar; cheguei a beber água no poço de Jacó e repassava em meu coração esse acontecimento —.

Quando Jesus chegou, chega então a uma cidade da Samaria chamada Sicar, perto da terra que Jacó tinha dado a seu filho José; lá se encontrava o poço de Jacó. Jesus, cansado da caminhada, estava sentado junto ao poço. Era por volta da sexta hora, e uma mulher da Samaria vem tirar água. Jesus lhe diz: «Dá-me de beber». Seus discípulos, de fato, tinham ido à cidade para comprar o que comer.

E então a mulher samaritana, toda admirada por um judeu lhe falar, porque havia divisão entre os samaritanos e os judeus, lhe diz: «Como tu, que és judeu, me pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?». E os judeus, de fato, não falavam com os samaritanos. E Jesus lhe respondeu: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te teria dado água viva».

E então ela começa a argumentar e diz: «Senhor, tu não tens com que tirar, e o poço é fundo. De onde, então, tens a água viva? Serias maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço e que dele bebeu, ele mesmo, assim como seus filhos e seus animais?». E Jesus lhe respondeu: «Quem beber desta água terá sede de novo; mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. A água que eu lhe der se tornará nele fonte de água a jorrar para a Vida eterna».

E Jesus continua a dialogar com a samaritana, e então Jesus lhe diz: «Vai chamar teu marido», e ela diz: «Não tenho marido». E Jesus, com uma palavra de ciência, lhe diz: «Tens razão, não tens marido, porque já tiveste cinco, e o que tens agora não é teu marido». Então ela fica toda admirada, sente-se descoberta, sente-se conhecida por Jesus, que era para ela um desconhecido; fica toda admirada e parte rapidamente para junto dos samaritanos para lhes dizer: «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz.».

Ela estava tão admirada porque viu que Jesus era alguém especial, pois não somente lhe dissera que aquele não era seu marido, mas lhe dissera tudo o que ela havia feito.

Então ela volta rapidamente para junto dos seus e diz: «Ele me disse tudo o que eu fiz». Quando então chegaram perto dele, os samaritanos pediram-lhe que ficasse com eles. Foram encontrar Jesus porque ela ousou testemunhar. Jesus, que a orientara para a fonte de água viva; Jesus, que lhe dissera: «Crê-me, mulher, vem a hora em que nem nesta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e Verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e aqueles que o adoram é em Espírito e Verdade que devem adorar.».

E os samaritanos, depois de saberem a Boa-Nova de que a samaritana encontrara o Messias, foram logo encontrar Jesus. Assim que chegaram perto dele, os samaritanos pediram-lhe que ficasse com eles. Ele lá permaneceu 2 dias, e foram muitos mais os que creram por causa de sua Palavra. Diziam no fim: «Não é mais por causa do teu modo de falar que cremos; nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo».

A samaritana foi uma autêntica testemunha depois de ter descoberto Jesus, o Messias Salvador, que se revelou a ela como o Salvador do mundo. Ela disse então: «Sei que o Messias deve vir, aquele que se chama Cristo; quando vier, ele nos explicará tudo», e Jesus lhe disse: «Sou eu, quem fala contigo», e ela creu na palavra de Jesus e foi testemunhar de Jesus. E seus amigos samaritanos foram encontrar Jesus. Vários se tornaram discípulos de Jesus.

Mas o que aconteceu na Samaria acontece hoje no mundo inteiro. Há pessoas que encontram Jesus por ocasião de um sinal como esse, de uma cura ou de uma palavra de sabedoria, de uma profecia ou de uma palavra de ciência nesse renovamento carismático que a Igreja de hoje vive. Há muitos sinais, muitas manifestações para que o povo que caminha nas trevas encontre Jesus.

Há luzes que se acendem, e cada vez que há uma testemunha que testemunha de Jesus, das maravilhas recebidas em sua vida, de sua conversão ou de uma cura ou de uma libertação, cada vez que alguém proclama Jesus, é uma luz que se acende, e aqueles que caminham nas trevas começam a ver a Verdade. Começam a descobrir que Jesus é verdadeiramente o Messias Salvador.

Será que Jesus dizia aos enviados de João Batista: «Ide e dizei a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os surdos ouvem, os leprosos são curados, os pobres são evangelizados». Jesus ainda o faz hoje, e por esses sinais ele descobre ao mundo de hoje que é verdadeiramente o Messias Salvador. E quando vemos esses sinais se manifestarem em toda parte, devemos, nós, testemunhar desses sinais, devemos proclamá-los.

É muito importante dar todo o seu valor ao testemunho, dizia-nos Santa Catarina de Sena; não se deve mais calar, gritai!!! Com 100 000 línguas!!! Vejo que à força de se calar, o mundo está podre porque temos medo de proclamar as maravilhas de Deus. Há os que vão procurar sua Salvação nas trevas, nas ciências ocultas. Há os que vão procurar sua Salvação por caminhos que não conduzem verdadeiramente à vida, porque temos medo de testemunhar. Às vezes há os que se afastam cada vez mais da Verdade. E o Senhor hoje nos dá uma nova efusão de seu Espírito Santo e quer fazer de cada um de nós uma testemunha, e nos pede que testemunhemos como aquela samaritana que, depois de ter encontrado Jesus, o Messias Salvador, foi anunciá-lo aos seus amigos.

E isso me lembra que, há 5 anos, numa paróquia da República Dominicana, em Nagua, vivemos um fenômeno semelhante a este. Uma jovem prostituta, que era realmente um problema em toda aquela grande aldeia, um problema para os lares; uma jovem de 21 anos que assistira a um serviço de cura, a uma oração de cura como a que vamos ter hoje. Mas, porque era prostituta, pecadora pública, tinha vergonha de se colocar no meio das pessoas e se escondera atrás de uma paliçada, onde se celebrava aquele encontro ao ar livre, sob as palmeiras.

Naquele país tropical, costumamos fazer nossas reuniões ao ar livre, e ela se escondera atrás de uma cerca porque tinha vergonha de sua própria vida, não queria se colocar junto com os cristãos. Mas ainda tinha bastante confiança em Jesus, apesar de seus pecados, para se unir à oração pelos doentes. E ali vimos como o Senhor, em sua grande misericórdia, a curou por primeiro.

A primeira palavra de ciência que recebi depois de fazer a oração pelos doentes naquela assembleia, onde havia cerca de 1000 pessoas, foi esta: «Há aqui uma mulher que sofre de câncer no ventre, e Jesus está a curá-la». E aquela mulher não era encontrada na assembleia. Mas no dia seguinte ela veio testemunhar.

Tinha 21 anos, era uma jovem da aldeia; veio testemunhar publicamente que tinha vergonha de se colocar junto com as outras, que se escondera atrás da cerca durante a oração para participar da oração de cura, e era aquela que Jesus curava em primeiro lugar. Ele é o Bom Pastor; veio salvar o que estava perdido.

Imaginem o Bom Pastor que vai até atrás daquela cerca e põe sua mão bendita sobre aquela jovem prostituta que sofria de câncer, que já tivera 2 operações daquele câncer no ventre, e Jesus a curou primeiro. E no dia seguinte ela testemunha publicamente diante de toda a assembleia e se arrepende de seus pecados. Jesus a curara do câncer físico e a curava também do câncer de sua alma, que era o pecado.

E em seguida ela se comprometeu a seguir o Senhor. Foi verdadeiramente convertida, e sabem o que ela fez? Fez o que a samaritana fez depois de ter encontrado Jesus. A samaritana foi dizer aos samaritanos: «Encontrei o Messias». E Miriam, aquela jovem prostituta, depois de sua cura, ao fim do retiro começou a visitar as prostitutas da aldeia para lhes dizer o que recebera na oração; além disso, havia na aldeia de Nagua uma grande casa de prostituição onde estavam reunidas cerca de vinte prostitutas a serviço do pecado, e Miriam foi até lá, conhecia todas, e lhes falou de organizar, ali mesmo naquela casa de prostitutas, naquele lupanar, um grupo, uma pequena célula de oração.

As prostitutas ficaram admiradas. E Miriam lhes disse: «Não venho pedir que deixem a prostituição; venho falar-lhes de meu amigo Jesus, a quem encontrei».

E com um homem catequista, ela conseguiu se introduzir naquele centro de prostituição. E na segunda-feira à noite, coisa muito espantosa, mas que se pode ver na América Latina, aquelas prostitutas, que passavam suas semanas a serviço do pecado, na segunda-feira à noite aceitavam se reunir com Miriam e o catequista para ouvir a Palavra de Deus e orar juntas. E ali, durante o ano, todas as segundas-feiras à noite reuniu-se uma pequena célula de oração naquele lupanar. E o que aconteceu? Ao cabo de um ano, aquelas prostitutas, que haviam orado durante o ano e que estavam indecisas, pediram um retiro.

E Miriam, com o catequista e alguns outros catequistas da aldeia, procuraram na grande aldeia de Nagua, que tem 24 000 habitantes, não é uma cidade, é uma grande aldeia rural que estava perdida na prostituição; convidaram prostitutas ao retiro. E eis que começamos um retiro carismático só para prostitutas, e reuniram 47. Quarenta e sete prostitutas foram a um retiro de 2 dias completos. Nunca vi tantas de uma só vez!

E ali era muito espantoso ver todo aquele grupo de jovens, de moças reunidas que vinham ouvir a Palavra de Deus, e vinham por 2 dias. E compreendi o que Jesus diz no Evangelho: «As prostitutas vos precederão no Reino dos Céus», porque com frequência condenamos essas pessoas, essas mulheres que, em sua grande maioria, são mulheres com grandes problemas econômicos e que procuram de mil maneiras o modo de viver em nossos meios.

De todo modo, eram 47 no retiro, e começamos o retiro falando-lhes de Jesus, o Bom Pastor, que não veio condenar o mundo, mas salvá-lo. Apresentamos-lhes o Pai do filho pródigo, falamos-lhes do amor de Jesus, que não condena, mas perdoa. E vimos durante esse retiro lágrimas abundantes; várias dessas prostitutas receberam uma profunda libertação daquela influência impura.

E sabem que, ao fim do retiro, das 47 prostitutas que haviam seguido aquele retiro e aquelas orações, houve 26 que aceitaram Jesus, que se arrependeram, que pediram que se orasse por elas para que recebessem as efusões do Espírito Santo a fim de serem testemunhas autênticas de Jesus Cristo. E já desde 1976, há já 5 anos, e atualmente das 26 ainda há 21 que se mantêm firmes.

21 de 47, porque Miriam ousou testemunhar entre suas antigas companheiras de prostituição; 21 de 47 se mantiveram firmes e continuam vivendo no amor, no conhecimento de Deus, continuam vivendo na paz e na alegria do Senhor.

Como é importante testemunhar, gritar nossa alegria quando encontramos o Senhor, dizê-lo em toda parte! Talvez haja alguns entre nós que diriam: «Mas, meu Deus, não tem cabimento ir testemunhar num lupanar, não tem cabimento ir falar-lhes do Senhor!». Mas são elas as que mais precisam de Jesus; são a elas em primeiro lugar, e a eles, aqueles que aos nossos olhos são perdidos, que mais precisam do testemunho do amor de Deus. Às vezes os chamamos de perdidos, mas não existem perdidos.

Repito: não existem perdidos, porque Jesus veio salvar o que estava perdido; veio nos resgatar. E o Senhor nos pede para irmos a toda parte testemunhar de seu amor, de sua misericórdia, de sua bondade. Ele quer que o mundo descubra que ele é verdadeiramente o Messias Salvador. E para que não duvidemos de seu amor, Jesus continua hoje a dar sinais de sua força e de sua bondade. E os sinais que dava aos discípulos de São João Batista, ele os dá hoje, e descobrimos que Jesus está vivo, que está vivo em sua Igreja.

Nos poucos anos de ministério, no ministério de cura, tive a alegria de ver se realizarem esses sinais que Jesus prometeu, esses sinais que dava aos enviados de João Batista: os coxos andam... Quantas vezes, em nossas grandes reuniões de oração pelos doentes, vimos coxos que começavam a andar? Mas durante todos esses anos, o dia em que tive essa impressão mais forte da presença de Deus foi no estádio Olímpico de Montreal, há 3 anos, quando tínhamos uma grande reunião carismática no dia de Pentecostes.

Havia ali, reunidas no estádio Olímpico de Montreal, no Canadá, 55 000 pessoas do renovamento carismático do Canadá. Era o grande dia de louvor, o dia de Pentecostes. E como não havia em Montreal uma sala capaz de nos receber, tivemos a audácia de alugar o estádio Olímpico dos Jogos Olímpicos, que tinha 84 000 lugares. Alguns que eram tímidos haviam dito antes da preparação da festa: «Isso vai parecer ridículo, um pequeno grupo de carismáticos nesse grande estádio olímpico.

São 84 000 lugares, não tem sentido, não tem cabimento.» E outros que tinham grande confiança em Jesus, como os que organizaram o encontro aqui e que tiveram a audácia de alugar essa bela sala, outros disseram: «Vamos preparar o encontro, e Jesus nos enviará seus amigos, e proclamaremos sua Palavra àqueles que ele nos enviar.».

Então havia 55 000 pessoas, e à tarde tivemos a sorte de ter a televisão da Radio-Canadá, que aceitara transmitir pela televisão nacional todo aquele programa da tarde, das 13h00 às 16h00. E então o Senhor, em sua grande Misericórdia, quis dar um sinal muito forte a todo o Canadá por meio daquela reunião. E tivemos cantos, conferências, oração; à tarde havia entusiasmo, e tudo passava pela televisão nos lares. Aqueles que tinham ficado em suas casas e diziam que os carismáticos eram loucos ficaram admirados de ver que no Canadá havia tantos loucos, éramos 55 000!!! Havia os que estavam realmente inquietos, mas acompanhavam isso em sua sala, e era o encerramento do dia de Pentecostes.

E depois da comunhão fizemos uma oração pelos doentes, depois da comunhão, e então, após a oração pelos doentes, o Senhor começou a nos dar algumas palavras de ciência para anunciar à assembleia o que ele fazia, o que Jesus fazia na assembleia. E eis que de repente se levanta na assembleia uma senhora que não andava havia 14 anos. Ela começou a tremer com todo o corpo, levantou-se e começou a andar com muita dificuldade.

E eu, ao ver aquela senhora que começava a andar, gritei ao microfone: «Os coxos andam, glória ao Senhor!». E ao dizer isso, outro se levantou, e as pessoas na assembleia ficaram todas admiradas; e era o estádio Olímpico que ia se pondo de pé; as pessoas se levantavam e eu gritava: «Obrigado, Senhor, mais um coxo que começa a andar.

Continua, Senhor, temos tempo, temos tempo, Senhor, continua, mais um!». E verdadeiramente as pessoas se levantavam e diziam: «Olhem lá, a pessoa que anda», e de repente uma terceira começa a andar, e sabem o que aconteceu? As pessoas estavam todas agitadas. Havia os que choravam, que sentiam aquela Presença de Deus de uma maneira muito forte, e o Senhor fez levantar 12 coxos. No fim da reunião, havia 12 cadeiras de rodas vazias; 12 coxos andavam; eram testemunhas da Presença de Deus, eram testemunhas de Jesus Cristo.

E foi um espanto tão grande que na manhã seguinte, no jornal de Montreal, a Presse de Montreal, havia um artigo em grandes manchetes que dizia: «Estupefação no estádio Olímpico: os coxos andam». Era verdadeiramente a estupefação!!! Jesus vinha nos dizer que está vivo, e os sinais que dava aos enviados de João Batista ele nos dava ali: os coxos andam... Vimos, irmãos, como em toda parte do mundo, nesse renovamento na fé, Jesus quer suscitar testemunhas. Testemunhas que são como luzes que irão contar o que viram e ouviram.

Jesus diz aos discípulos de João: «Ide e contai o que vistes e ouvistes». Eu lhes diria que havia pessoas que choravam na assembleia, e o prefeito de Montreal, o senhor Jean Drapeau, que estava ali nas primeiras fileiras, chorava como uma criança, soluçava. Quando Deus manifesta seu amor e sua presença, sentimo-nos muito pequenos. Não há mais grandes homens quando a força de Deus se manifesta; quando o amor de Deus irrompe, descobrimos que somos criancinhas, e ele também chorava aos soluços.

Então conto-lhes isso para lhes dizer que também hoje o Senhor suscita testemunhas, e depois essas pessoas, quando proclamam o que Jesus fez por elas em sua grande misericórdia, são testemunhas que estão edificando a fé. O homem de quem os demônios tinham saído pedia-lhe que o deixasse ficar com ele, mas Jesus o despediu, dizendo: «Volta para tua casa e conta tudo o que Deus fez por ti em sua grande misericórdia». E ele foi então, proclamando por toda a cidade tudo o que Jesus fizera por ele. E todo o mundo ficava admirado.

Jesus queria que aquele homem, aquele endemoniado de Gerasa que fora liberto de um espírito impuro, fosse sua testemunha, e lhe disse: «Volta para tua casa e conta entre os teus tudo o que Deus fez por ti em sua grande misericórdia». É o que ele nos pede a todos quando nos abençoa de uma maneira especial.

Ele nos pede que voltemos para junto dos nossos, que voltemos para nossa família, que voltemos para nossa comunidade cristã e tenhamos a audácia de proclamar as maravilhas do Senhor; e cada vez que testemunhamos, cada vez que damos um testemunho, evangelizamos, anunciamos a Boa-Nova de Jesus, o Messias Salvador.

Irmãos, quando os enviados de João Batista foram ver Jesus, Jesus lhes disse também outro sinal para identificar o Messias Salvador: os coxos andam, os cegos veem, os surdos ouvem, os leprosos são curados... E todos esses sinais vemos hoje e podemos testemunhar de todas essas coisas. Em dezembro passado, contei na outra noite, em dezembro passado tivemos a alegria de ver, na África, em Camarões, na diocese de San Mélina, depois de ter pregado um retiro na catedral ao grupo de oração de San Mélina, havia mais de 300 leprosos.

E eis que, depois de ter pregado sobre a força da oração para obtermos nossa cura, fizemos uma oração comunitária por todos aqueles leprosos que estavam ali, lamentáveis, e o Senhor curou 10 leprosos; 10 leprosos foram curados durante a oração, e nos dias seguintes receberam uma cura total, sua pele se renovou, e eles testemunhavam. Testemunhavam de sua cura, e era uma grande alegria. E o que me impressionou não foi somente a cura dos leprosos, mas o fato de Jesus ter curado 10 deles, como no Evangelho.

Ele vem nos dizer, por isso, que está vivo hoje e que é sempre o mesmo. Tem a mesma força, a mesma bondade, e tem o mesmo amor, a mesma compaixão por aqueles que sofrem.

E nos diz: «Eu te digo que, se creres, verás a glória de Deus». Como é maravilhoso ser crente, crer em Jesus Salvador e poder voltar entre nossos irmãos e proclamar todas essas maravilhas, como fez a samaritana, que voltou, que foi entre os samaritanos dizer-lhes: «Encontrei o Messias, ele me disse tudo o que fiz», e foi a conversão de vários samaritanos.

Como fez Miriam, que depois da cura de seu câncer foi até as prostitutas dizer-lhes: «Não venho pedir que saiam deste lupanar; venho apresentar-lhes meu amigo Jesus, venho falar-lhes de meu amigo Jesus». Ali vários se converteram por causa do testemunho de Miriam.

Como é maravilhoso ver como vários aqui presentes foram convertidos ao amor de Jesus, deixaram-se amar por Jesus, porque alguém de seus amigos, de seus irmãos, teve a audácia de proclamar diante deles as maravilhas do Senhor, de lhes falar da misericórdia de Deus, da paz e da alegria que recebera ao aceitar Jesus em seu coração e em sua vida.

Ó Senhor, como te agradecemos por continuar hoje a proclamar, a manifestar tuas maravilhas. Às vezes há pessoas que nos dizem: «Mas, meu padre, no Evangelho o Senhor, quando curava um doente, lhe dizia: não o digas a ninguém». Então eles fazem referência ao Evangelho segundo São Mateus; há alguns textos do Evangelho que dão essa impressão de que o Senhor não quer que se diga.

Em São Mateus, capítulo 9, versículos 27 a 31, lemos a cura de 2 cegos: «Ao sair Jesus dali, 2 cegos o seguiram, gritando: «Tem piedade de nós, filho de Davi». Chegados à casa, os cegos se aproximaram dele, e Jesus lhes disse: «Credes que eu possa fazer isso?». «Sim, Senhor», disseram-lhe. Então tocou-lhes os olhos, dizendo: «Faça-se em vós segundo vossa fé». E seus olhos se abriram. Então Jesus os advertiu severamente: «Cuidado, disse, que ninguém o saiba».

Mas eles, saindo, espalharam sua fama por toda aquela região.»

Jesus às vezes dizia aos doentes que eram curados: não o digas a ninguém. Dizia não o digas a ninguém, mas não é porque não quer que se proclame. Isso se chama o segredo messiânico. Jesus, no início de sua vida pública, curava doentes, mas não queria que tudo se publicasse logo. Queria formar seus apóstolos, queria dar aos seus apóstolos que o seguiam, aos seus discípulos, sinais de que ele é o Messias Salvador.

Mas dizia «não o digas a ninguém» porque queria tomar o tempo, durante sua vida pública, para formar seus apóstolos, para lhes proclamar a Palavra; mas não é mais assim hoje. Depois de sua morte, Jesus não diz «não o digas a ninguém»; depois de sua morte, no dia da Ascensão, Jesus disse: «Ide pelo mundo inteiro proclamar a Boa-Nova a todas as nações». Agora não é mais «não o digais a ninguém»; ele nos diz: «Ide pelo mundo inteiro proclamar a Boa-Nova a todas as nações. Batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Quem crer, será batizado e será salvo, e quem não crer será condenado».

Nos Atos dos Apóstolos, capítulo 5, como os primeiros apóstolos eram testemunhas maravilhosas! Vemos, por exemplo, a comparação de Pedro diante do Sinédrio, e ali as autoridades queriam impedi-lo de proclamar Jesus. E Pedro respondeu então, com os apóstolos: «É preciso obedecer a Deus antes que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou este Jesus, a quem vós fizestes morrer, suspendendo-o no madeiro. É ele a quem Deus exaltou pela sua direita, tornando-o Chefe e Salvador, para conceder por ele a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Destes fatos somos testemunhas, nós e o Espírito Santo que Deus deu àqueles que lhe obedecem». Pedro testemunhava com audácia!

E nós, irmãos, seremos, na Igreja de hoje, verdadeiros apóstolos se tivermos a coragem de testemunhar. E se o testemunho de nossa conduta, se o testemunho de nossa vida falar ainda mais forte do que o testemunho de nossa palavra, veremos resultados maravilhosos. Veremos conversões cada vez mais numerosas, e vemos conversões, pessoas que encontram Jesus. Vós vistes em vossas células de oração, em vossas comunidades cristãs, pessoas que aceitam Jesus no coração e na vida porque alguém ousou testemunhar de Jesus Cristo diante delas.

Não fiquemos mudos! Sejamos verdadeiras testemunhas! Testemunhas audaciosas, capazes de ir até o sangue, até dar a vida por Jesus Cristo! E é dessa maneira que o Senhor quer edificar seu Reino.

Ensinamento dado em Genebra, na Suíça, em 1981